quinta-feira, 29 de maio de 2008

Homem do Saco

Quando se está em intensa atividade e não faz uma refeição decente, seja por falta de tempo ou oportunidade, vem alguém e diz "saco vazio não pára em pé". Pois bem, pus-me a pensar.

SACO : receptáculo ou bolsa de tecido, couro, plástico, etc. , aberto em cima e fechado no fundo e dos lados.

RECEPTÁCULO : lugar onde se juntam ou guardam coisas;recipiente; abrigo; esconderijo.

Pensei em um saco e seu lado de dentro. Se referem à comida quando usam tal citação ali de cima. Mas indaguei sobre um conteúdo qualquer. Foi aí que me recordei dessa coisa de pessoas de conteúdo, que todo mundo diz querer ter uma assim como companheira amorosa.
O que seria o conteúdo de uma pessoa? E o que seria a falta desse preenchimento? Analfabetização? Fome? Aculturação? Ódio seria a presença do sentimento raivoso ou a falta de amor?
Dizem que pessoa sem conteúdo é aquela que nada tem a acrescentar às outras. Mas em que tipo de situação estão essas outras? Comida pode ser conteúdo sim, para quem está com fome. Cultura pode ser sinal de saco vazio, quando não se é usada de maneira sábia. Solidão pode ser um saco cheio de tristeza, ou vazio de alegria.
Ar pode ser considerado nada, ou pode ser tudo para pulmões que precisam.
Todos os dias, vejo sacos de plástico que rasgam à toa, sacos sem alça, um ou outro puxa-saco, sacos de pancadas, sacos cheios que queriam estar vazios e sacos vazios que nem pensam na possibilidade de encher-se.

CONTEÚDO do Lat. contenutu
s. m., o que está contido em alguma coisa; teor; Ling., significado; um dos planos da língua por oposição à forma; fig., tema; adj., contido.

Pus-me a pensar mais. Que espécie de saco eu sou? De que material sou feito?
Bom, não dá pra responder todas as perguntas que faço a mim mesmo.
Mas eu sei que tipo de saco eu quero ser. Quero ser um saco cheio de coisas impossíveis de serem saqueadas. Um saco maleável, semitransparente, o qual vejam - em parte, porque nem tudo pode ser mostrado - o que há dentro de mim apenas no olhar. Um saco com significado, seja ele qual for, mas que me encha daquilo que sou e daquilo que serei, daquilo que estou e naquilo que estarei.

Saca só. Quero encher o saco dos outros sem encher o saco de ninguém. Afinal, eu não sou um saco, sacomé?

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Flor! ei você! Fly lá!

eu tentei começar a preparar o terreno,
mas passou um cavalo correndo e estragou os buraquinhos
q eu tinha iniciado a fazer com tanto carinho pra colocar as sementes.
agora vou tentar recomeçar.
pq não comprar um pouco de adubo pra terra ficar mais rica, né? =) afinal..
aposto que esse aroma dela não vai embora de jeito nenhum
vou esperar.
espero que caia aquela chuva gostosa no final da tarde
quem sabe eu dando uma olhada todo dia com carinho,
nao sou presenteado com o aparecimento de um brotinho?

o engraçado é que eu já vejo uma flor antes mesmo das primeiras folhinhas...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Felicidade Realista

"De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo."

Martha Medeiros

Um sujeito e sua oração

A comunicação será sempre uma variável na equação da atualidade.
Em mais um desses momentos em que estive tão extremamente fora de mim quanto dentro, imaginei um ambiente onde palavras teriam formas, cores e movimentos. Os ouvidos captariam a sonoridade da melodia, tão ignorada em cotidiano terreno, em perfeita harmonia com o movimento indefinido que adotariam ao sair de cada boca. Crânios seriam úteros que engravidariam a todo momento, mas selecionariam seus filhotes. Encontrei palavras que também entravam em bocas, eram saboreadas, digeridas e algumas até mesmo vomitadas. Vi ditos serem discriminados pela sua forma e outros defendendo-os, segurando argumentos oficiais e enpapelados onde mostravam que apesar de sua forma ser diferente, suas letras estavam presentes na composição de todos. Grupos de blá blá blá apressados tropeçavam em vírgulas e pontos finais que, embora pequeninos, também reivindicavam a valorização da sua importância. Afinal, sem eles o mundo seria ainda mais confuso. Interrogações esterilizavam bocas e exclamações eram previstas com um franzir de sobrancelhas. Travessões eram usados como espadas em discussões. Hífens promoviam a união entre os povos e tremas eram irmãos órfãos que viviam embaixo de um viaduto, onde trafegavam palavras que comandavam números.

Parei para pensar. Aquele mundo não era meu. Parece o contrário, mas veio de mim. De onde eu venho? Que lugar é esse que transforma em caos até mesmo um sonhar acordado?

Quero compartilhar minhas palavras. Em um tom sereno, estendo a perninha do meu "a". Não faço questão de contornos definidos. Peço para que minúsculas respeitem as maiúsculas e que não haja abuso de autoridade nem de poder. Se houver uma separação de sílabas, que estas não esqueçam seu passado, nem suas origens. Façam de suas vidas uma morfologia de se dar orgulho. Aproveitem o alfabeto ao máximo e dividam seus acentos, principalmente os circunflexos, há bastante gente precisando.