domingo, 31 de agosto de 2008

Rotina também ensina

A idéia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O início é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho...
é o oposto.
A rotina do jornal é o fato.
A celebridade é a rotina do boato.
A rotina da mão é o toque.
A rotina da garganta...
é o rock.
O coração é a rotina da batida.
A rotina do equilíbrio é a medida.
O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele...
é o arrepio.
A rotina do perfume é a lembrança.
O pé é a rotina da dança.
Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca...
é o desejo.
A rotina do caminho é a direção.
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem sua beleza.
Descubra a sua.

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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A minha TV tá louca. Me mandou calar a boca e não tirar a bunda do sofá.

Enquanto pessoas perguntam por que,
outras pessoas perguntam por que não?
Até porque não acredito no que é dito, no que é visto.
Ter acesso é poder e o poder é a informação.
Qualquer palavra satisfaz a garota, o rapaz.
E a paz, quem traz, tanto faz?

O valor é temporário, o amor imaginário, a festa é o perjúrio.
O minuto de silêncio é o minuto reservado de murmúrio,
de anestesia.
O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia.
Com a narrativa.
A vida ingrata de quem acha que é notícia, de quem acha que é momento.
Na tua tela, quer ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela,
que não tem gesto.

Quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto!

Xanéu nº 5 - Fernando Anitelli

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Tendo ao infinito por extenso

Haja o que houver, há de se estabelecer a beleza da busca pelo ideal.
Perguntam-me o que alguém como eu procura estudando engenharia mecânica. Sei que não é todo dia que se encontra um apaixonado pela metafísica da natureza e da expressão humana querendo ser engenheiro, quando quem costuma ter tal desejo restringe-se à física e à matéria.
Ainda fico sem saber como explicar direito, mas, de alguma forma, tento transparecer que aí é onde está a incógnita dessa inequação que encontram em mim.
Falando como aprendiz de engenheiro, sabe-se que incógnitas podem ser variáveis, tornando a possibilidade de sistemas algo verdadeiro. E quero que falem-me algo mais metafísico que a diferenciação de fases encontrada na palavra "variáveis".
Questionam-me às vezes com argumentos como "Como pode uma pessoa que tem talento com palavras e pincéis ter gosto por matemáticas, matrizes, números e suas notações?". Daí me recordo de uma certa música que possui um trecho mais-adequado-impossível para ser parafraseado neste tipo de situação: "por que é que não se junta tudo numa coisa só?".
Quem foi que disse que não se pode fazer poesia com uma fórmula mecânica? Se já há a matemática da arte, por que não abrir um pouco mais os olhos e integrar a arte da matemática? Não há razão para se colocar um limite entre as duas o tempo todo. Limites, integrais... quem conhece sabe que não tem jeito de fundamentar estes conceitos sem usar a imaginação. Não entendo o motivo de insistirem que letras e números são de mundos diferentes, em tempos onde se fala tanto sobre inovação tecnológica. E a inovação, a ânsia pelo novo e a sede de ser original é o que deve acontecer na cabeça de cada um.

Seguindo o exemplo do que fazem o 1 e o 3 ( os dois ficam em um amasso intenso logo ali entre o "a" e o "c" e ainda pensam que ninguém os percebe), que os algarismos namorem!

Que a auto-expressão sem medo, esteja ela entre vírgulas ou variáveis, acentos ou porcentos, suposições e subtrações, sublinhada, subestime os parênteses.
Vamos desenhar em planos cartesianos e não nos preocupar mais se as funções possuem um ponto em comum no gráfico ou não. Tracejemos a linha que bem entendermos, independente de "x" ou de "y", afinal, tem um abecedário inteiro para se misturar entre os quadrantes.

Os romanos já nem sabem mais o que são, e os que são pensam que sabem...