Meu coração tem a doçura de uma flor, mas hoje se mostrou ter espinhos como uma rosa. E eu descobri da pior maneira: sentindo sua pulsação. Nunca experimentei a sensação que deve dar o ato de se mutilar, mas acredito que senti algo parecido.
Devia ser proibido te ver triste.
É horrível o sentimento de culpa e impotência impostos por uma inexperiência que você pensou nunca te fazer de vítima. Mais ainda ser a vítima de si mesmo. E, como se não houvesse possibilidade de se sentir pior, levar junto quem se ama.
Essa mesma inexperiência agora me deixa assim, sem saber o que dizer, como dizer. Faço um apêlo para a verdade, mas ela não se põe como uma ferramenta muito útil.
Eu só quero que a certeza que você vê nos meus olhos dizendo aquilo que eu nunca preciso dizer quando você me pergunta "o que foi?" se faça maior que a sua desconfiança neste momento.
Enquanto criticam nossa relativa distância cronológica de nascimento, somente nós sabemos o quanto aprendemos um com o outro, e, sim, o outro com o um.
No entanto, isso que chamamos de namoro não se vale apenas de aprendizado. Há muita razão para que o termo "descobrimento" seja posto entre nós. E não fomos nós quem descobrimos nada, foi esse intenso sentimento que nos descobriu e encontrou uma maneira de fazer com que nos esbarrássemos. Descobrimentos põem teorias em pauta. Confirmando algumas, remodelando outras. Eu continuo com a minha de que você foi feita à mão...
No momento, você dorme mas quem sonha sou eu. Consciente sim, mas quem pensa em ti todo o tempo sou eu, então só eu sei o que é sonhar acordado. Acordar sonhando, então...
Enquanto aliviado por saber que o sono a fez distrair-se do meu tropeço, penso em um jeito de procurar aquela pedrinha e jogar bem longe, para que nunca mais se ponha no meu caminho enquanto seguro a sua mão. Onde já se viu? Querer segurar em você por tanto tempo, que até no momento do tropeço, não me permitir te soltar e trazer você ao chão comigo. Acabei machucando nós dois. Me desculpa.
Espero que o fato de cairmos juntos só nos faça mais unidos para juntos também levantarmos.
Se seu joelho estiver doendo muito, eu te carrego, não tem problema. O chato é que ele não compartilha isso com o meu. Egoísta. Mas é direito. Eu sou esquerdo, estou aqui para te completar. Verdade, sou esquerdo, sou errado. Me desculpa. Estou aqui tentando me consertar.
Só não quero ficar direito, por que senão como em você irei me encaixar?
Um dos espinhos nasceu para dentro. Como se já não bastassem aqueles que destruíam o lado de fora, havia um fazendo o trabalho mais doloroso: machucar o próprio coração.
De fato, é o que você é. Um pedaço do meu coração, um pedido cheio de razão, meu amor, Ma(lo)vi.
Espero sofrer uma boa poda depois disso e poder te oferecer a rosa que sempre encontramos no final desses galhos cheios de espinhos.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
sábado, 20 de setembro de 2008
É preciso que se mude alguma coisa para que não se mude alguma coisa
Sou um alguém diferente a cada dia, possuindo a capacidade de falar do eu de ontem em terceira pessoa. Mudo constantemente, sem alterar a minha base de princípios e particípios, meu pisar independente. É isso que constrói cada um. É isso que destrói cada um. Uma vida é feita de uma hora para outra, assim como desfeita.
Uma vivência não.
Uma vivência não.
domingo, 31 de agosto de 2008
Rotina também ensina
A idéia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O início é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho...
é o oposto.
A rotina do jornal é o fato.
A celebridade é a rotina do boato.
A rotina da mão é o toque.
A rotina da garganta...
é o rock.
O coração é a rotina da batida.
A rotina do equilíbrio é a medida.
O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele...
A rotina da pele...
é o arrepio.
A rotina do perfume é a lembrança.
A rotina do perfume é a lembrança.
O pé é a rotina da dança.
Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca...
é o desejo.
A rotina do caminho é a direção.
A rotina do caminho é a direção.
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem sua beleza.
Toda rotina tem sua beleza.
Descubra a sua.
Publicidade - Linha Natura Todo Dia
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
A minha TV tá louca. Me mandou calar a boca e não tirar a bunda do sofá.
Enquanto pessoas perguntam por que,
outras pessoas perguntam por que não?
Até porque não acredito no que é dito, no que é visto.
Ter acesso é poder e o poder é a informação.
Qualquer palavra satisfaz a garota, o rapaz.
E a paz, quem traz, tanto faz?
O valor é temporário, o amor imaginário, a festa é o perjúrio.
O minuto de silêncio é o minuto reservado de murmúrio,
de anestesia.
O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia.
Com a narrativa.
A vida ingrata de quem acha que é notícia, de quem acha que é momento.
Na tua tela, quer ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela,
que não tem gesto.
Quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto!
Xanéu nº 5 - Fernando Anitelli
outras pessoas perguntam por que não?
Até porque não acredito no que é dito, no que é visto.
Ter acesso é poder e o poder é a informação.
Qualquer palavra satisfaz a garota, o rapaz.
E a paz, quem traz, tanto faz?
O valor é temporário, o amor imaginário, a festa é o perjúrio.
O minuto de silêncio é o minuto reservado de murmúrio,
de anestesia.
O sistema é nervoso e te acalma com a programação do dia.
Com a narrativa.
A vida ingrata de quem acha que é notícia, de quem acha que é momento.
Na tua tela, quer ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela,
que não tem gesto.
Quem tem medo assimila toda forma de expressão como protesto!
Xanéu nº 5 - Fernando Anitelli
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Tendo ao infinito por extenso
Haja o que houver, há de se estabelecer a beleza da busca pelo ideal.
Perguntam-me o que alguém como eu procura estudando engenharia mecânica. Sei que não é todo dia que se encontra um apaixonado pela metafísica da natureza e da expressão humana querendo ser engenheiro, quando quem costuma ter tal desejo restringe-se à física e à matéria.
Ainda fico sem saber como explicar direito, mas, de alguma forma, tento transparecer que aí é onde está a incógnita dessa inequação que encontram em mim.
Falando como aprendiz de engenheiro, sabe-se que incógnitas podem ser variáveis, tornando a possibilidade de sistemas algo verdadeiro. E quero que falem-me algo mais metafísico que a diferenciação de fases encontrada na palavra "variáveis".
Questionam-me às vezes com argumentos como "Como pode uma pessoa que tem talento com palavras e pincéis ter gosto por matemáticas, matrizes, números e suas notações?". Daí me recordo de uma certa música que possui um trecho mais-adequado-impossível para ser parafraseado neste tipo de situação: "por que é que não se junta tudo numa coisa só?".
Quem foi que disse que não se pode fazer poesia com uma fórmula mecânica? Se já há a matemática da arte, por que não abrir um pouco mais os olhos e integrar a arte da matemática? Não há razão para se colocar um limite entre as duas o tempo todo. Limites, integrais... quem conhece sabe que não tem jeito de fundamentar estes conceitos sem usar a imaginação. Não entendo o motivo de insistirem que letras e números são de mundos diferentes, em tempos onde se fala tanto sobre inovação tecnológica. E a inovação, a ânsia pelo novo e a sede de ser original é o que deve acontecer na cabeça de cada um.
Seguindo o exemplo do que fazem o 1 e o 3 ( os dois ficam em um amasso intenso logo ali entre o "a" e o "c" e ainda pensam que ninguém os percebe), que os algarismos namorem!
Que a auto-expressão sem medo, esteja ela entre vírgulas ou variáveis, acentos ou porcentos, suposições e subtrações, sublinhada, subestime os parênteses.
Vamos desenhar em planos cartesianos e não nos preocupar mais se as funções possuem um ponto em comum no gráfico ou não. Tracejemos a linha que bem entendermos, independente de "x" ou de "y", afinal, tem um abecedário inteiro para se misturar entre os quadrantes.
Os romanos já nem sabem mais o que são, e os que são pensam que sabem...
Perguntam-me o que alguém como eu procura estudando engenharia mecânica. Sei que não é todo dia que se encontra um apaixonado pela metafísica da natureza e da expressão humana querendo ser engenheiro, quando quem costuma ter tal desejo restringe-se à física e à matéria.
Ainda fico sem saber como explicar direito, mas, de alguma forma, tento transparecer que aí é onde está a incógnita dessa inequação que encontram em mim.
Falando como aprendiz de engenheiro, sabe-se que incógnitas podem ser variáveis, tornando a possibilidade de sistemas algo verdadeiro. E quero que falem-me algo mais metafísico que a diferenciação de fases encontrada na palavra "variáveis".
Questionam-me às vezes com argumentos como "Como pode uma pessoa que tem talento com palavras e pincéis ter gosto por matemáticas, matrizes, números e suas notações?". Daí me recordo de uma certa música que possui um trecho mais-adequado-impossível para ser parafraseado neste tipo de situação: "por que é que não se junta tudo numa coisa só?".
Quem foi que disse que não se pode fazer poesia com uma fórmula mecânica? Se já há a matemática da arte, por que não abrir um pouco mais os olhos e integrar a arte da matemática? Não há razão para se colocar um limite entre as duas o tempo todo. Limites, integrais... quem conhece sabe que não tem jeito de fundamentar estes conceitos sem usar a imaginação. Não entendo o motivo de insistirem que letras e números são de mundos diferentes, em tempos onde se fala tanto sobre inovação tecnológica. E a inovação, a ânsia pelo novo e a sede de ser original é o que deve acontecer na cabeça de cada um.
Seguindo o exemplo do que fazem o 1 e o 3 ( os dois ficam em um amasso intenso logo ali entre o "a" e o "c" e ainda pensam que ninguém os percebe), que os algarismos namorem!
Que a auto-expressão sem medo, esteja ela entre vírgulas ou variáveis, acentos ou porcentos, suposições e subtrações, sublinhada, subestime os parênteses.
Vamos desenhar em planos cartesianos e não nos preocupar mais se as funções possuem um ponto em comum no gráfico ou não. Tracejemos a linha que bem entendermos, independente de "x" ou de "y", afinal, tem um abecedário inteiro para se misturar entre os quadrantes.
Os romanos já nem sabem mais o que são, e os que são pensam que sabem...
quinta-feira, 3 de julho de 2008
A visita
"Trocar o óleo do carro, concluir o imposto de renda, comprar cuecas novas, negociar um crédito no banco, tomar mais vitamina C, ligar pra assistência técnica da máquina de lavar, parar de fumar, reorganizar a carteira de clientes do escritório e trocar as cordas o violão". Bateu com a cabeça na porta de vidro enquanto caminhava, distraidamente, enumerando no pensamento o batalhão de coisas que ainda tinha por fazer. Era um homem muito ocupado, sem dúvida. Corria tanto pra lá e pra cá que nem tinha tempo de fazer uma visita aos amigos. À espreita, a moça desocupada gargalhava da situação enquanto ele tentava se recompor do embaraço, como se nada tivesse acontecido. Refeito do acidente, passou a mão na testa reconhecendo, de imediato, o auto-relevo que a pancada lhe causara. Parou diante da moça risonha com um olhar de repreensão e, num franzir de sobrancelhas, se deu conta de que já não enumerava mais aquele batalhão de coisas que ainda tinha por fazer. Deu por falta do homem-muito-ocupado dentro de si. E assim foi. Corria tanto pra lá e pra cá que nem tinha tempo de fazer uma visita aos amigos até que um dia, num sobressalto, o amor viera lhe visitar.
Maíra Viana
Maíra Viana
domingo, 29 de junho de 2008
Meu sonho de amanhã rima com a história
Conflitos e perguntas. Como mudam de uma hora para outra...
Ora me perturbam, ora nos perturbam...
Ora, senhora, horas como a de agora não são as mesmas de outrora.
Se antes dúvidas endividadas, agora certezas acesas.
A rima de humor com amor não se dá apenas no sentido fonético da combinação.
De repente, descobre-se que o toque das teclas se troca e começa a tocar um teco diferente.
As palavras são as mesmas desde o beabá. Mas, de repente, a pronúncia ganha forma e o sorriso vira música. Música aos ouvidos a gente já sabe como é. A descoberta é a música aos olhos e ao coração. Até parece que ele, não contente com o ritmo de estilo clássico, procura fazer uma batida diferente. É assim que acontece, é consequente. Uma melodia como uma batida de coração. Sabe-se que há uma coleção, falando de músicas com o coração explicitamente imposto, mas quantos corações se conhece com uma musicalidade colocada de maneira tão mais escancarada, que os olhos, mudos, falam, vibram e dançam?
Ah, é difícil perceber seu som abafado e discreto diante de tantos graves e agudos e timbres tão distintos, mas quem toca o bumbo, sente seu compasso.
Esses dias eu estava dizendo que rosa não é nome de cor, rosa é codinome de flor.Parei e pensei. Risquei e rabisquei, de rosa. Menos uma pergunta sem dor, mas qual seria então o nome dessa cor?
Ih, rimou. Humor e amor, né?
Ao invés de flor ser cor de rosa, por que não rosa ser cor de flor?
Ai essas perguntas sem respostas expostas
e essas rimas sem sentido sentido...
Ora me perturbam, ora nos perturbam...
Ora, senhora, horas como a de agora não são as mesmas de outrora.
Se antes dúvidas endividadas, agora certezas acesas.
A rima de humor com amor não se dá apenas no sentido fonético da combinação.
De repente, descobre-se que o toque das teclas se troca e começa a tocar um teco diferente.
As palavras são as mesmas desde o beabá. Mas, de repente, a pronúncia ganha forma e o sorriso vira música. Música aos ouvidos a gente já sabe como é. A descoberta é a música aos olhos e ao coração. Até parece que ele, não contente com o ritmo de estilo clássico, procura fazer uma batida diferente. É assim que acontece, é consequente. Uma melodia como uma batida de coração. Sabe-se que há uma coleção, falando de músicas com o coração explicitamente imposto, mas quantos corações se conhece com uma musicalidade colocada de maneira tão mais escancarada, que os olhos, mudos, falam, vibram e dançam?
Ah, é difícil perceber seu som abafado e discreto diante de tantos graves e agudos e timbres tão distintos, mas quem toca o bumbo, sente seu compasso.
Esses dias eu estava dizendo que rosa não é nome de cor, rosa é codinome de flor.Parei e pensei. Risquei e rabisquei, de rosa. Menos uma pergunta sem dor, mas qual seria então o nome dessa cor?
Ih, rimou. Humor e amor, né?
Ao invés de flor ser cor de rosa, por que não rosa ser cor de flor?
Ai essas perguntas sem respostas expostas
e essas rimas sem sentido sentido...
terça-feira, 24 de junho de 2008
Conscientização ambiental
Cada dia um debate diferente.
Cada batida um som eminente.
Cada mina uma pedra reluzente.
Cada luz uma cor transparente.
Cada trânsito uma lei ausente.
Debati com uma pedra:
- Cadê o som e cadê a cor?
Rebateu ela:
- Cadê a lei?
Cada batida um som eminente.
Cada mina uma pedra reluzente.
Cada luz uma cor transparente.
Cada trânsito uma lei ausente.
Debati com uma pedra:
- Cadê o som e cadê a cor?
Rebateu ela:
- Cadê a lei?
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Pensando alto
— E você, por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
- Ah, porque eu tenho vergonha.
Diálogo - Rita Apoena
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
- Ah, porque eu tenho vergonha.
Diálogo - Rita Apoena
terça-feira, 17 de junho de 2008
Há poesia no espelho
Talvez eu tenha visto filmes demais.
00:00; 23:23; 23:32; 21:21; 13:13. Será que alguma coisa tá acontecendo? Me disseram que tem alguém pensando em mim. Me disseram quem está pensando em mim. Quem me disse. Quem não parece ser nada demais. Mas quem me fez pensar que talvez eu tenha visto mais filmes do que devia ter visto. Quem me chamou a atenção e me fez atravessar o Rio de Janeiro duas vezes no mesmo dia. Quem me faz parar para olhar as perfeições que não encontro, mas as mesmas me encontram. Me catucam de um lado e vão para o outro. Assim, prendem minha atenção. Quando vejo, passam das dez.
Quem cortou um pedacinho da minha atenção, guardou-o e disse que eu tinha que voltar para pegar de volta. Mas eu acho que quando eu voltar vou é ter outra fatia tirada.
Um longa-metragem quando é muito bom, vira curta. Não quero ver mais filmes. Quero ser meus filmes, apesar de não querer ser sozinho no elenco.
Tô cansado de ser meu próprio antagonista. Chega de roteiros confusos. Vamos improvisar. Sem mais falas e movimentos decorados. Não quero nada repetido. Quero que meu filme de amor não tenha diretor.
Talvez de incomum já baste eu.
Seu rosto é poesia. Poesia saiu da minha boca e letras nem foram usadas.
Quem, é vc?
00:00; 23:23; 23:32; 21:21; 13:13. Será que alguma coisa tá acontecendo? Me disseram que tem alguém pensando em mim. Me disseram quem está pensando em mim. Quem me disse. Quem não parece ser nada demais. Mas quem me fez pensar que talvez eu tenha visto mais filmes do que devia ter visto. Quem me chamou a atenção e me fez atravessar o Rio de Janeiro duas vezes no mesmo dia. Quem me faz parar para olhar as perfeições que não encontro, mas as mesmas me encontram. Me catucam de um lado e vão para o outro. Assim, prendem minha atenção. Quando vejo, passam das dez.
Quem cortou um pedacinho da minha atenção, guardou-o e disse que eu tinha que voltar para pegar de volta. Mas eu acho que quando eu voltar vou é ter outra fatia tirada.
Um longa-metragem quando é muito bom, vira curta. Não quero ver mais filmes. Quero ser meus filmes, apesar de não querer ser sozinho no elenco.
Tô cansado de ser meu próprio antagonista. Chega de roteiros confusos. Vamos improvisar. Sem mais falas e movimentos decorados. Não quero nada repetido. Quero que meu filme de amor não tenha diretor.
Talvez de incomum já baste eu.
Seu rosto é poesia. Poesia saiu da minha boca e letras nem foram usadas.
Quem, é vc?
Ai! Se sêsse!...
Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum eu insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum eu insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!
Zé da Luz
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Homem do Saco
Quando se está em intensa atividade e não faz uma refeição decente, seja por falta de tempo ou oportunidade, vem alguém e diz "saco vazio não pára em pé". Pois bem, pus-me a pensar.
SACO : receptáculo ou bolsa de tecido, couro, plástico, etc. , aberto em cima e fechado no fundo e dos lados.
RECEPTÁCULO : lugar onde se juntam ou guardam coisas;recipiente; abrigo; esconderijo.
Pensei em um saco e seu lado de dentro. Se referem à comida quando usam tal citação ali de cima. Mas indaguei sobre um conteúdo qualquer. Foi aí que me recordei dessa coisa de pessoas de conteúdo, que todo mundo diz querer ter uma assim como companheira amorosa.
O que seria o conteúdo de uma pessoa? E o que seria a falta desse preenchimento? Analfabetização? Fome? Aculturação? Ódio seria a presença do sentimento raivoso ou a falta de amor?
Dizem que pessoa sem conteúdo é aquela que nada tem a acrescentar às outras. Mas em que tipo de situação estão essas outras? Comida pode ser conteúdo sim, para quem está com fome. Cultura pode ser sinal de saco vazio, quando não se é usada de maneira sábia. Solidão pode ser um saco cheio de tristeza, ou vazio de alegria.
Ar pode ser considerado nada, ou pode ser tudo para pulmões que precisam.
Todos os dias, vejo sacos de plástico que rasgam à toa, sacos sem alça, um ou outro puxa-saco, sacos de pancadas, sacos cheios que queriam estar vazios e sacos vazios que nem pensam na possibilidade de encher-se.
CONTEÚDO do Lat. contenutu
s. m., o que está contido em alguma coisa; teor; Ling., significado; um dos planos da língua por oposição à forma; fig., tema; adj., contido.
Pus-me a pensar mais. Que espécie de saco eu sou? De que material sou feito?
Bom, não dá pra responder todas as perguntas que faço a mim mesmo.
Mas eu sei que tipo de saco eu quero ser. Quero ser um saco cheio de coisas impossíveis de serem saqueadas. Um saco maleável, semitransparente, o qual vejam - em parte, porque nem tudo pode ser mostrado - o que há dentro de mim apenas no olhar. Um saco com significado, seja ele qual for, mas que me encha daquilo que sou e daquilo que serei, daquilo que estou e naquilo que estarei.
Saca só. Quero encher o saco dos outros sem encher o saco de ninguém. Afinal, eu não sou um saco, sacomé?
SACO : receptáculo ou bolsa de tecido, couro, plástico, etc. , aberto em cima e fechado no fundo e dos lados.
RECEPTÁCULO : lugar onde se juntam ou guardam coisas;recipiente; abrigo; esconderijo.
Pensei em um saco e seu lado de dentro. Se referem à comida quando usam tal citação ali de cima. Mas indaguei sobre um conteúdo qualquer. Foi aí que me recordei dessa coisa de pessoas de conteúdo, que todo mundo diz querer ter uma assim como companheira amorosa.
O que seria o conteúdo de uma pessoa? E o que seria a falta desse preenchimento? Analfabetização? Fome? Aculturação? Ódio seria a presença do sentimento raivoso ou a falta de amor?
Dizem que pessoa sem conteúdo é aquela que nada tem a acrescentar às outras. Mas em que tipo de situação estão essas outras? Comida pode ser conteúdo sim, para quem está com fome. Cultura pode ser sinal de saco vazio, quando não se é usada de maneira sábia. Solidão pode ser um saco cheio de tristeza, ou vazio de alegria.
Ar pode ser considerado nada, ou pode ser tudo para pulmões que precisam.
Todos os dias, vejo sacos de plástico que rasgam à toa, sacos sem alça, um ou outro puxa-saco, sacos de pancadas, sacos cheios que queriam estar vazios e sacos vazios que nem pensam na possibilidade de encher-se.
CONTEÚDO do Lat. contenutu
s. m., o que está contido em alguma coisa; teor; Ling., significado; um dos planos da língua por oposição à forma; fig., tema; adj., contido.
Pus-me a pensar mais. Que espécie de saco eu sou? De que material sou feito?
Bom, não dá pra responder todas as perguntas que faço a mim mesmo.
Mas eu sei que tipo de saco eu quero ser. Quero ser um saco cheio de coisas impossíveis de serem saqueadas. Um saco maleável, semitransparente, o qual vejam - em parte, porque nem tudo pode ser mostrado - o que há dentro de mim apenas no olhar. Um saco com significado, seja ele qual for, mas que me encha daquilo que sou e daquilo que serei, daquilo que estou e naquilo que estarei.
Saca só. Quero encher o saco dos outros sem encher o saco de ninguém. Afinal, eu não sou um saco, sacomé?
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Flor! ei você! Fly lá!
eu tentei começar a preparar o terreno,
mas passou um cavalo correndo e estragou os buraquinhos
q eu tinha iniciado a fazer com tanto carinho pra colocar as sementes.
agora vou tentar recomeçar.
pq não comprar um pouco de adubo pra terra ficar mais rica, né? =) afinal..
aposto que esse aroma dela não vai embora de jeito nenhum
vou esperar.
espero que caia aquela chuva gostosa no final da tarde
quem sabe eu dando uma olhada todo dia com carinho,
nao sou presenteado com o aparecimento de um brotinho?
o engraçado é que eu já vejo uma flor antes mesmo das primeiras folhinhas...
mas passou um cavalo correndo e estragou os buraquinhos
q eu tinha iniciado a fazer com tanto carinho pra colocar as sementes.
agora vou tentar recomeçar.
pq não comprar um pouco de adubo pra terra ficar mais rica, né? =) afinal..
aposto que esse aroma dela não vai embora de jeito nenhum
vou esperar.
espero que caia aquela chuva gostosa no final da tarde
quem sabe eu dando uma olhada todo dia com carinho,
nao sou presenteado com o aparecimento de um brotinho?
o engraçado é que eu já vejo uma flor antes mesmo das primeiras folhinhas...
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Felicidade Realista
"De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo."
Martha Medeiros
Martha Medeiros
Um sujeito e sua oração
A comunicação será sempre uma variável na equação da atualidade.
Em mais um desses momentos em que estive tão extremamente fora de mim quanto dentro, imaginei um ambiente onde palavras teriam formas, cores e movimentos. Os ouvidos captariam a sonoridade da melodia, tão ignorada em cotidiano terreno, em perfeita harmonia com o movimento indefinido que adotariam ao sair de cada boca. Crânios seriam úteros que engravidariam a todo momento, mas selecionariam seus filhotes. Encontrei palavras que também entravam em bocas, eram saboreadas, digeridas e algumas até mesmo vomitadas. Vi ditos serem discriminados pela sua forma e outros defendendo-os, segurando argumentos oficiais e enpapelados onde mostravam que apesar de sua forma ser diferente, suas letras estavam presentes na composição de todos. Grupos de blá blá blá apressados tropeçavam em vírgulas e pontos finais que, embora pequeninos, também reivindicavam a valorização da sua importância. Afinal, sem eles o mundo seria ainda mais confuso. Interrogações esterilizavam bocas e exclamações eram previstas com um franzir de sobrancelhas. Travessões eram usados como espadas em discussões. Hífens promoviam a união entre os povos e tremas eram irmãos órfãos que viviam embaixo de um viaduto, onde trafegavam palavras que comandavam números.
Parei para pensar. Aquele mundo não era meu. Parece o contrário, mas veio de mim. De onde eu venho? Que lugar é esse que transforma em caos até mesmo um sonhar acordado?
Quero compartilhar minhas palavras. Em um tom sereno, estendo a perninha do meu "a". Não faço questão de contornos definidos. Peço para que minúsculas respeitem as maiúsculas e que não haja abuso de autoridade nem de poder. Se houver uma separação de sílabas, que estas não esqueçam seu passado, nem suas origens. Façam de suas vidas uma morfologia de se dar orgulho. Aproveitem o alfabeto ao máximo e dividam seus acentos, principalmente os circunflexos, há bastante gente precisando.
Em mais um desses momentos em que estive tão extremamente fora de mim quanto dentro, imaginei um ambiente onde palavras teriam formas, cores e movimentos. Os ouvidos captariam a sonoridade da melodia, tão ignorada em cotidiano terreno, em perfeita harmonia com o movimento indefinido que adotariam ao sair de cada boca. Crânios seriam úteros que engravidariam a todo momento, mas selecionariam seus filhotes. Encontrei palavras que também entravam em bocas, eram saboreadas, digeridas e algumas até mesmo vomitadas. Vi ditos serem discriminados pela sua forma e outros defendendo-os, segurando argumentos oficiais e enpapelados onde mostravam que apesar de sua forma ser diferente, suas letras estavam presentes na composição de todos. Grupos de blá blá blá apressados tropeçavam em vírgulas e pontos finais que, embora pequeninos, também reivindicavam a valorização da sua importância. Afinal, sem eles o mundo seria ainda mais confuso. Interrogações esterilizavam bocas e exclamações eram previstas com um franzir de sobrancelhas. Travessões eram usados como espadas em discussões. Hífens promoviam a união entre os povos e tremas eram irmãos órfãos que viviam embaixo de um viaduto, onde trafegavam palavras que comandavam números.
Parei para pensar. Aquele mundo não era meu. Parece o contrário, mas veio de mim. De onde eu venho? Que lugar é esse que transforma em caos até mesmo um sonhar acordado?
Quero compartilhar minhas palavras. Em um tom sereno, estendo a perninha do meu "a". Não faço questão de contornos definidos. Peço para que minúsculas respeitem as maiúsculas e que não haja abuso de autoridade nem de poder. Se houver uma separação de sílabas, que estas não esqueçam seu passado, nem suas origens. Façam de suas vidas uma morfologia de se dar orgulho. Aproveitem o alfabeto ao máximo e dividam seus acentos, principalmente os circunflexos, há bastante gente precisando.
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