A comunicação será sempre uma variável na equação da atualidade.
Em mais um desses momentos em que estive tão extremamente fora de mim quanto dentro, imaginei um ambiente onde palavras teriam formas, cores e movimentos. Os ouvidos captariam a sonoridade da melodia, tão ignorada em cotidiano terreno, em perfeita harmonia com o movimento indefinido que adotariam ao sair de cada boca. Crânios seriam úteros que engravidariam a todo momento, mas selecionariam seus filhotes. Encontrei palavras que também entravam em bocas, eram saboreadas, digeridas e algumas até mesmo vomitadas. Vi ditos serem discriminados pela sua forma e outros defendendo-os, segurando argumentos oficiais e enpapelados onde mostravam que apesar de sua forma ser diferente, suas letras estavam presentes na composição de todos. Grupos de blá blá blá apressados tropeçavam em vírgulas e pontos finais que, embora pequeninos, também reivindicavam a valorização da sua importância. Afinal, sem eles o mundo seria ainda mais confuso. Interrogações esterilizavam bocas e exclamações eram previstas com um franzir de sobrancelhas. Travessões eram usados como espadas em discussões. Hífens promoviam a união entre os povos e tremas eram irmãos órfãos que viviam embaixo de um viaduto, onde trafegavam palavras que comandavam números.
Parei para pensar. Aquele mundo não era meu. Parece o contrário, mas veio de mim. De onde eu venho? Que lugar é esse que transforma em caos até mesmo um sonhar acordado?
Quero compartilhar minhas palavras. Em um tom sereno, estendo a perninha do meu "a". Não faço questão de contornos definidos. Peço para que minúsculas respeitem as maiúsculas e que não haja abuso de autoridade nem de poder. Se houver uma separação de sílabas, que estas não esqueçam seu passado, nem suas origens. Façam de suas vidas uma morfologia de se dar orgulho. Aproveitem o alfabeto ao máximo e dividam seus acentos, principalmente os circunflexos, há bastante gente precisando.
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